31 de out. de 2012

Ballet aéreo e arte circense encantam o público da Mostra Guajajara de Artes

Às cinco da tarde, a bailarina voou pelo céu de São Luís, deixando em suspensão seu corpo e o olhar de quem passava pela praça Nauro Machado, na terça (30). Foi um instante de delicadeza e encantamento proporcionado pela performance Ballet Aéreo, da dançarina Sandra Miyasawa (SP), dentro da programação da VII Mostra SESC Guajajara de Artes.

Olhinhos infantis vibravam com o mistério do corpo suspenso e com a leveza dos movimentos executados pela bailarina que desafiava os limites da gravidade e as possibilidades de tornar o sonho de voar uma realidade. Famílias inteiras, jovens e crianças se reuniram pra ver o espetáculo que fascinou a todos. “Fiquei maravilhada com a performance. Estava andando distraída, tinha saído do trabalho, quando eu vi a moça dançando no céu, pendurada pelos fios do guindaste. Foi um momento muito bonito, muito poético”, disse Francisca Araújo, funcionária pública.

Na performance, Sandra é sustentada por dois cabos de aço preso a um guindaste, enquanto uma trilha instrumental com piano e cordas é executada. A bailarina concentra seu esforço na força da suspensão e vai realizando movimentos como se caminhasse no céu, interagindo com as pessoas com beijos e acenos. Para que ela tenha a liberdade de elaborar suas coreografias suspensas, ela conta com a parceria de Natália Maciel, que vai direcionando a movimentação do guindaste em torno da praça. A concepção do espetáculo é toda da bailarina, que procura interagir com o espaço. O resultado é uma intervenção poética entre corpo, movimento e som com a paisagem urbana e bucólica da praça.

Além do trabalho com o ballet aéreo, Sandra participa em São Paulo de vários projetos artísticos com multilinguagens, juntando música, cinema e vídeo. Ela está presente no videoclipe da canção “Pés no chão”, da cantora Márcia Castro, e tem feito trabalhos recentes com o cineasta Beto Brant, experimentando a linguagem de cinedança.

Amanhã, dia 1°, Sandra apresentará a performance Mirage – Aryadne no céu da cidade, a partir das 19h, no encerramento da Mostra Guajajara, na praça Nauro Machado.

Arte circense

Depois da bailarina foi a vez das crianças se divertirem com os palhaços Cara de Pau, Montanha e Cafi, do Grupo Namakaca (SP), que apresentaram o espetáculo É Nóis na Xita. Apostando na linguagem infantil e técnicas circenses, o grupo provocou muitas gargalhadas do público presente com um show de malabarismo, monociclo, acrobacias e equilibrismo.

O espetáculo já foi premiado como "Melhor Espetáculo de Rua" e "Melhor Atuação em Espetáculo de Rua" no 1º Festival Nacional de Teatro de Juiz de Fora (MG - 2006) e também o 3º lugar na "Mostra Competitiva Malabares Rio" (2006), o 3º Lugar no "I Festival de Cenas Cômicas do Espaço Parlapatões", em São Paulo (2007), e o 2º lugar na "Mostra Competitiva JrMalabaris", em Belo Horizonte (2009).

No cotidiano cada vez mais corrido e apressado do dia-a-dia da cidade, os dois espetáculos proporcionaram um raro momento de delicadeza para o público que se emocionou com memórias de infância e da comunicação que há numa das linguagens mais antiga das artes: a arte circense.


Às cinco da tarde, a bailarina voou pelo céu de São Luís, deixando em suspensão seu corpo e o olhar de quem passava pela praça Nauro Machado, na terça (30). Foi um instante de delicadeza e encantamento proporcionado pela performance Ballet Aéreo, da dançarina Sandra Miyasawa (SP), dentro da programação da VII Mostra SESC Guajajara de Artes.

Olhinhos infantis vibravam com o mistério do corpo suspenso e com a leveza dos movimentos executados pela bailarina que desafiava os limites da gravidade e as possibilidades de tornar o sonho de voar uma realidade. Famílias inteiras, jovens e crianças se reuniram pra ver o espetáculo que fascinou a todos. “Fiquei maravilhada com a performance. Estava andando distraída, tinha saído do trabalho, quando eu vi a moça dançando no céu, pendurada pelos fios do guindaste. Foi um momento muito bonito, muito poético”, disse Francisca Araújo, funcionária pública.

Na performance, Sandra é sustentada por dois cabos de aço preso a um guindaste, enquanto uma trilha instrumental com piano e cordas é executada. A bailarina concentra seu esforço na força da suspensão e vai realizando movimentos como se caminhasse no céu, interagindo com as pessoas com beijos e acenos. Para que ela tenha a liberdade de elaborar suas coreografias suspensas, ela conta com a parceria de Natália Maciel, que vai direcionando a movimentação do guindaste em torno da praça. A concepção do espetáculo é toda da bailarina, que procura interagir com o espaço. O resultado é uma intervenção poética entre corpo, movimento e som com a paisagem urbana e bucólica da praça.

Além do trabalho com o ballet aéreo, Sandra participa em São Paulo de vários projetos artísticos com multilinguagens, juntando música, cinema e vídeo. Ela está presente no videoclipe da canção “Pés no chão”, da cantora Márcia Castro, e tem feito trabalhos recentes com o cineasta Beto Brant, experimentando a linguagem de cinedança.

Amanhã, dia 1°, Sandra apresentará a performance Mirage – Aryadne no céu da cidade, a partir das 19h, no encerramento da Mostra Guajajara, na praça Nauro Machado.

Arte circense

Depois da bailarina foi a vez das crianças se divertirem com os palhaços Cara de Pau, Montanha e Cafi, do Grupo Namakaca (SP), que apresentaram o espetáculo É Nóis na Xita. Apostando na linguagem infantil e técnicas circenses, o grupo provocou muitas gargalhadas do público presente com um show de malabarismo, monociclo, acrobacias e equilibrismo.

O espetáculo já foi premiado como "Melhor Espetáculo de Rua" e "Melhor Atuação em Espetáculo de Rua" no 1º Festival Nacional de Teatro de Juiz de Fora (MG - 2006) e também o 3º lugar na "Mostra Competitiva Malabares Rio" (2006), o 3º Lugar no "I Festival de Cenas Cômicas do Espaço Parlapatões", em São Paulo (2007), e o 2º lugar na "Mostra Competitiva JrMalabaris", em Belo Horizonte (2009).

No cotidiano cada vez mais corrido e apressado do dia-a-dia da cidade, os dois espetáculos proporcionaram um raro momento de delicadeza para o público que se emocionou com memórias de infância e da comunicação que há numa das linguagens mais antiga das artes: a arte circense.

Texto: Alberto Jr. (Ascom Mostra Sesc Guajajara de  Artes)

Companhia maranhense apresenta a peça O Mulato na Mostra Guajajara em montagem conceitual


O público lotou o Teatro João do Vale na noite de segunda (29) para prestigiar a peça O Mulato, da Companhia Drao Teatro da (In) Constância, dentro da programação da VII Mostra SESC Guajajara de Artes. Com quase duas horas de duração, a adaptação do livro do escritor maranhense Aluísio Azevedo atraiu um grande número de jovens para ver a história de amor entre Raimundo e Ana Rosa, entre os conflitos sociais da época. A obra marca o início da prosa naturalista na literatura brasileira.

A companhia, sob direção do teatrólogo Ivaldo Júnior, optou por uma linguagem contemporânea na montagem, com o uso de metalinguagens no palco, mesclando a narrativa do texto com apontamentos biográficos sobre o escritor Aluísio Azevedo. A todo instante, o público era confrontado com trechos do romance, ampliados com o contexto da época em que o escritor escreveu o livro. O jogo de cena era demarcado com o uso cenográfico de um labirinto de barras de metal e pela iluminação focada na ação. Todo o processo de troca de figurino, discussão sobre detalhes da apresentação e preparação de maquiagem acontecia no palco, ao mesmo tempo do desenrolar das cenas.

Narrativa com forte crítica social


O Mulato conta a história de Raimundo, que sai ainda criança de São Luís para Lisboa, sem saber do seu passado e de sua história. Anos mais tarde, volta à cidade natal como rico e virtuoso advogado e com o intuito de desvendar os mistérios de seu passado. Ele logo cai nas graças de sua prima Ana Rosa, que arrebatada, declara-lhe seu amor, mas os dois encontram fortes obstáculos.

O texto de Aluísio Azevedo faz uma sátira a personagens típicos de São Luís, em 1881, já Província do Maranhão. Comerciantes grosseiros, sádicas senhoras de escravos, velhas beatas e fofoqueiras, um padre maquiavélico e inescrupuloso vão ambientando uma sociedade racista, tendo como intriga o amor romântico do mulato (moralmente impecável) para com a prima branca, na luta contra o preconceito e as proibições familiares.


Durante o desenrolar da narrativa, o público foi se empolgando com algumas atuações pelo tom mais caricatural de alguns atores, como o personagem do padre Diogo, representado pelo jovem Raphael Brito, que rouba a cena pra si. Além da iluminação e cenografia, a trilha sonora também é feita de interferências em cena, com o uso de instrumentos de percussão e um tambor-onça, que demarcando a tensionalidade da narrativa.


Mais espetáculos teatrais estão na programação da VII Mostra SESC Guajajara de Artes, que segue até o dia 1º de novembro.

Fotos: Paulo Socha

30 de out. de 2012

Atores trocam experiências sobre a produção teatral no projeto Pensamento Giratório da Mostra Guajajara

Um momento para trocar experiências e discutir o processo de produção teatral entre os grupos convidados da VII Mostra SESC Guajajara de Artes e a comunidade artística local. Essa foi a proposta do Pensamento Giratório, encontro que promoveu o debate com as atrizes Iara Campos e Juliana Montenegro, da Trupe Ensaia Aqui e Acolá (PE), na segunda (29), no Chico Discos Bar.




A iniciativa faz parte das ações formativas da programação da Mostra deste ano. “O pensamento giratório é um momento importante dentro do Palco Giratório que, na verdade, é um processo de mediação e de troca. É quando paramos um pouco das atividades artísticas para discutirmos o processo criativo da cada grupo, a questão do mercado e da difusão das artes. Então, acaba sendo um momento de abraço mesmo entre a gente”, explicou Carol Aragão, técnica de Cultura do SESC.

A professora do Departamento de Artes da UFMA, Socorro Braga, mediou o debate e fez considerações a respeito do trânsito que há entre o processo acadêmico e o fazer teatral, ressaltando que é preciso que a academia e os grupos dialoguem entre si, buscando intervir em ambos os espaços, o da produção científica e o da produção teatral.

Entre os participantes do debate, estavam alguns integrantes da Companhia Santa Ignorância de Artes (MA), da Companhia Druw de Dança Contemporânea (SP), profissionais e estudantes de teatro e aspirantes à carreira de ator, que fizeram considerações a respeito da experiência de circular por diversos estados, das diferentes realidades de espaços culturais e dos grupos presentes na programação. Para o bailarino Anderson Gouveia, a troca é fundamental para o processo de autoconhecimento dos próprios grupos e artistas. “Está sendo muito bom esse convívio com os outros grupos, até mesmo como um espelho de si, porque se a gente não conhece o outro, não conhece a si mesmo”, disse.

A experiência da Trupe Ensaia Aqui e Acolá

As atrizes da Trupe Ensaia Aqui e Acolá começaram o papo falando sobre o início na companhia, a partir de encontros ainda na graduação em Artes Cênicas na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), sob orientação do professor Marco Camarotti. A trupe, criada em 2006, surgiu após o falecimento do professor, pela necessidade de dar continuidade aos trabalhos de pesquisa desenvolvidos por Marco Camarotti, com foco na cultura popular e nos melodramas circenses, chamado por ele de “formas marginalizadas do teatro” (teatro da infância e juventude, circo-teatro e o teatro folclórico).

 
O professor escreveu uma trilogia de livros que estão servindo de base para o desenvolvimento da metodologia de trabalho do grupo, ainda em processo de formação de sua identidade e estética teatral. “A gente tem se apoiado nas pesquisas e na obra do Camarotti pra produzir nossos espetáculos. Já estamos desenvolvendo nosso próximo trabalho apoiado no terceiro livro dele, Resistência e Voz: O teatro do povo do nordeste, no qual estamos desenvolvendo algumas pesquisas sobre a memória dos melodramas circenses”, explicou Juliana Montenegro.

A profissionalização e o processo de feitura dos espetáculos foram uns dos pontos-chave no debate. Iara Campos explicou que o próprio nome da Trupe, Ensaia Aqui e Acolá, foi uma sugestão que surgiu no grupo pela dificuldade de terem um espaço próprio para os ensaios, sempre improvisados. Embora haja ensaios regulares e intensa atividade de produção, os integrantes não têm como se manter somente com o trabalho na trupe, dependendo de outras atividades profissionais, o que acaba dificultando a realização de viagens e excursões para outros estados. Disse ainda que todo o processo é colaborativo e que os integrantes não têm uma função específica, alternando atividades a cada novo processo de trabalho. Ou seja, um diretor que em outro momento pode ser o iluminador e assim por diante.


A linguagem pelo público

Outro ponto discutido foi a respeito da linguagem direcionada pela classificação indicativa do público alvo. O ator e bailarino mato-grossense Clodoaldo Arruda questionou se o processo de criação direcionada para um público alvo não acaba engessando a fruição do espectador. “Qual a importância desse direcionamento do público, como vou direcionar a necessidade do sabor do olhar?”, questionou o bailarino.

Iara Campos respondeu explicando que, no caso do espetáculo da trupe, O Amor de Clotilde por um certo Leandro Dantas, não há como privilegiar as crianças como público alvo, pelo caráter verborrágico da peça e porque as referências que eles usaram para a construção do espetáculo, como a trilha sonora, é uma bricolagem de experiências pessoais, que acabam se assemelhando por serem da mesma geração. Porém, as crianças absorvem algumas ideias e se interessam por alguns cacoetes de cena.

Já os integrantes de Vila Tarsila, espetáculo com foco no público infantil, disseram que, embora as crianças sejam os principais receptores da peça, ela transcende a classificação indicativa da faixa etária por conta das informações mais amplas sobre a pintora, suas obras e até mesmo o movimento modernista.

A experiência maranhense

Lauande Aires, da Cia. Santa Ignorância de Artes, comentou a respeito da realidade do teatro maranhense, que passou por um tempo de ostracismo e pouca produção nos últimos 15 anos, afetando a profissionalização de muitos profissionais. “Faz pouco tempo, e isso tem mais ou menos uns 7 anos, que a gente realmente começou a ter uma produção mais constante de teatro por conta do fomento em torno dos eventos do calendário cultural da cidade. A semana de teatro é um deles. E isso tem nos motivado a produzir mais, a querer apostar em novos mercados”, disse o ator.

A companhia estará com seus espetáculos na programação do Palco Giratório do próximo ano, sendo o segundo grupo maranhense a participar do projeto do SESC. “Pai e Filho”, da Pequena Companhia de Teatro, foi o primeiro contemplado e está percorrendo o Brasil no evento deste ano.

Arte e conhecimento

A professora Socorro Braga provocou também a reflexão dos participantes no debate sobre a relação entre a arte e o mercado profissional, a motivação que conduz cada profissional a produzir seus espetáculos.

Anderson Gouveia disse que é preciso ter um gosto pelo fazer artístico, independente das dificuldades que o mercado impõe. “A gente trabalha na instabilidade dos programas e projetos de fomento. Há sempre um risco e é preciso ter gosto por essa rotina”, refletiu.

“A arte precisa ser reconhecida como moeda de valor. E mais do que uma ambição financeira, o artista tem que ser movido pela troca, num processo de recolonização, reforçando a importância da academia em relação à pesquisa teatral, e sabendo fazer uso do poder que a arte tem de fazer sucesso, o poder de fazer circular e de produzir conhecimento”, chamou a atenção Clodoaldo Arruda.

O debate foi finalizado sobre a discussão entre Arte e Ciência com todos os participantes ressaltando a importância do papel educativo e científico que a arte tem, e que cada vez mais deve ser estimulado essa troca, tanto da parte dos artistas quanto dos pesquisadores do campo das Artes


  
(Iara Campos, Socorro Braga, Juliana Montenegro e Carolina Aragão)

Produções do Sesc fazem parte das atrações da Mostra Guajajara de Artes

A dança, música e teatro são as formas de expressão mais apreciadas pelo público e ao longo do tempo tem desenvolvido inúmeros estilos e movimentos. Com espaço garantido na grade anual de atividades do Sesc, uma parcela dos trabalhos e projetos desenvolvidos nessas modalidades estão presentes na programação da 7° Mostra Sesc Guajajara de Artes. Até o dia 01 de novembro, o público aprecia a dança de rua da Cia Street Master de Dança, Companhia Sesc de Dança de Salão, projeto Sesc Instrumental, apresentação do Núcleo Sesc de Estudos Teatrais e o tradicional Boi Brilho do Sesc.
  




Na segunda, dia 29 de outubro, o Sesc mostrou o talento e experiência da Companhia Street Master,  Companhia Sesc de Dança de Salão e do Núcleo Sesc de Estudos Teatrais. Com o Espetáculo de Dança “Identidade”, a coreografia da Cia Street Master de Dança é permeada pelos estilos freestyle, house, popping, locking, cacuriá, bumba-meu-boi, dentre outros que permeiam a brilhante trajetória do grupo. Fruto do projeto Adolescente Cidadão, pelo qual o Sesc visa desenvolver os talentos de jovens de bairros menos favorecidos, esse trabalho reune treze anos de dedicação e aperfeiçoamento.  Já o Espetáculo “O Baile”, da Companhia Sesc de Dança de Salão, apresenta os estilos e coreografias encontradas atualmente nos bailes, tais como bolero, samba de gafieira, zouk, soltinho, chorinho e resgata também a envolvente valsa. O teatro ficou por conta do grupo do Núcleo Sesc de Estudos Teatrais, que apresentou o resultado final da sua dedicação na peça “O Mulato”, no João do Vale. Objeto de estudo do projeto Por Trás da Cena, que visa à formação cultural de jovens estudantes de escolas públicas, universitários, educadores e interessados em geral no conhecimento artístico-cultural por meio de oficinas, palestras e cursos, a apresentação narrou a história de um advogado recém-formado que ao retornar para São Luís se apaixona perdidamente pela prima, mas esbarra em grandes obstáculos para viver esse amor.
Nesta terça, dia 30 de outubro, o projeto Sesc instrumental realiza uma apresentação especial para os alunos da Educação Infantil do Sesc, com faixa etária entre 3 e 6 anos, na Área de Vivência do Sesc Deodoro. Proporcionando momentos de lazer cultural e sensibilização dos comerciários e público em geral para a música instrumental de qualidade, além de divulgação das obras de compositores brasileiros, o SESC instrumental promove apresentações às terças-feiras, na sala de dança do Sesc Deodoro.
No dia 01 de novembro, a Mostra Sesc Guajajara encerra com uma maratona cultural de 12 horas de programação (Over12). Na vasta lista de atrações, a tarde é dedicada à morte do Boi Brilho do Sesc. Composto por 100 pessoas, 70 destas são do Trabalho Social com Idosos (TSI), com idade entre 60 e 91 anos. O ritmo da orquestra embala os brincantes, que mostram habilidade e muita alegria. A comemoração inicia às 15 horas, com convidados do TSI e Baile “Show Bumba Meu Som”, e se estende até as 16h30. O Ritual de morte do Boi Brilho do Sesc está marcado para as 17 horas, contando com a participação do Boi São Bento.

O trabalho de difusão e promoção artística da arte em geral do Sesc contribui de forma relevante para a democratização do acesso às produções locais e nacionais. No ano passado, a instituição inseriu 544.048 comerciários no universo das artes cênicas, visuais, audiovisual, dança, música e literatura em variados espaços, com obras e criações para todos os tipos de públicos.


Fonte: Amanda Machado / ASCOM Sesc

29 de out. de 2012

Tássia Campos em noite de som e fúria na Mostra SESC Guajajara de Artes

 


Inaugurado este ano, o Teatro Cidade de São Luís (antigo Cine Roxy) tornou-se palco para o show glamoroso da cantora Tássia Campos, durante a programação da VII Mostra SESC Guajajara de Artes, na noite de sábado (27). Acompanhada dos músicos, Edinho Bastos (guitarra), Jesiel Bives (teclado), João Paulo (baixo) e Moisés Mota (bateria) e DJ Franklin (programação eletrônica), a cantora apresentou um repertório de canções dos seus últimos shows em tributo aos Novos Baianos e Sérgio Sampaio, bem como algumas canções inéditas que estarão no seu primeiro disco.



Após uma sequência de música brasileira e mundial saída das pick-ups do DJ Franklin, ela entrou desafiadora, sem saudar o público, cantando em inglês, com voz rouca e encorpada, experimentando sonoridades em dub e arranjos que misturavam o som eletrônico do DJ com a base jazzística dos músicos. O visual do palco nos transportava para o melhor das casas noturnas de jazz, com luz soturna que dava textura ao clima noir pela fumaça que saía do gelo seco junto com o veludo da cortina vermelha atrás dos músicos. De vestido longo e flor na cabeça, Tássia lembrava o visual de cantoras como Billie Holiday e Ella Fitzgerald, talvez uma homenagem ali explícita, como ícones musicais.



As canções do repertório escolhido por Tássia pareciam ir traduzindo a persona da própria cantora, que nos últimos dias se envolveu em discursos polêmicos com outros músicos nas redes sociais e que tem assumido uma postura opinativa sobre a música feita pelos artistas maranhenses e sobre aquilo que lhe representa, nem sempre em tom de delicadeza.



E toda essa perspectiva ariana, de quem gosta de comprar briga, acaba se tornando o impulso criativo para seu trabalho como cantora, da artista que se fortalece no conflito, seja pessoal, seja nas relações com seus pares.



Nos versos de A menina dança (Novos Baianos), está lá o nariz arrebitado da menina que entra no jogo e não leva desaforo pra casa quando tudo está virado; nos versos de Que Loucura (Sérgio Sampaio), está a figura que ficou maluco da ideia guiando o carro na contramão, até chegar a se revelar em composição autoral, Persona non grata parceria dela com Celso Borges, quando cantou os versos “Eu disse quase tudo, eu quase não disse nada, disso que sou feito, nem leite, nem nata, persona non grata. Esse é o meu futuro, o ouro de que acumulo. O verbo puro, o salto por cima do muro”.



Durante o show, a palavra poética ganhou força na performance da cantora, que em determinado saiu do palco e deixou apenas a voz mixada com as incursões eletrônicas do DJ Franklin para dizer: “só vou deixar meu coração, a alma do meu corpo, para quem pode. (...) eu não tô à toa, eu sou muito boa”.



A certeza de si como intérprete ficou evidente nas releituras de canções com registros marcantes, como Is This Love (Bob Marley), A Rã (João Donato) e Summertime (George Gerswin), como também no registro dela para Intervalo (André Lucap), que estava na plateia e pra quem ela disse ter roubado a música pra si, e Logradouro (kléber Albuquerque), com a qual ganhou o prêmio de artista revelação da Rádio Universidade FM.

Tássia dedicou a canção Punk da Periferia (Gilberto Gil) para o mestre Leonardo, do Bumba-meu-boi da Liberdade, com quem conviveu de perto e a quem tratava como avô a quem nutria um carinho especial e admiração pela opção e missa de vida em prol da cultura popular.



Ao final, cantou com vigor e volúpia a canção Pacto com Baco (Eugênio Dale), celebrando o prazer dionisíaco e subvertendo a ordem estabelecida pela lei seca de não consumir bebida alcoólica, pra fazer o que lhe dá vontade, no palco e fora dele também.



Foi um show envolvente, moderno e visualmente bonito. Tássia Campos mostrou que, de São Luís, pode-se também estar conectados com o que há de mais contemporâneo na música produzida no Brasil, representada por outras cantoras semelhantes na intenção estética, como Céu, Cibelle, Nina Becker, entre outras.verbo puro, o salto por cima do muro".  leite, nem nata, persona non grata.



A programação da VII Mostra SESC Guajajara de Artes segue até o dia 1° de novembro.


Texto: Alberto Jr. (Ascom Mostra Sesc Guajajara de Artes)
Fotos: Taciano Brito 

Espetáculo infantil apresenta o universo lúdico das memórias de infância de Tarsila do Amaral




“Vila Tarsila” foi pensado e produzido para as crianças, mas o que se viu no palco do Teatro Arthur Azevedo, na tarde de sábado (27), foi um espetáculo de multilinguagens que fizeram transportar o público de todas as idades no imaginário das experiências visuais e antropofágicas da pintora Tarsila do Amaral.

Dirigido pela coreógrafa e bailarina Miriam Druwe, em parceria com Cristiane Paoli Quito, a ideia de criar o espetáculo sobre as memórias de infância da pintora surgiu após uma crise alérgica da diretora. “Eu sou muito inquieta, sempre vivi de dança, e foi a partir de uma crise alérgica, que me deixou parada em casa por um tempo, que veio a vontade de montar esse espetáculo junto com a companhia”, disse Miriam.

Há cinco anos direcionando seus espetáculos para o público infantil, Miriam Druwe conta que trabalhar para as crianças é um privilégio e um desafio. Ela tem um filho pequeno, que acaba tendo a função crítica de primeiro diretor de seus projetos. “A maioria dos movimentos, como a cena dos balões, por exemplo, são resultados de observações feitas com o olhar do meu filho e outras crianças. Essa coisa encantada e festiva com que eles interagem com os balões, absorvendo a leveza, as cores, o movimento e o som do estouro, tudo isso acaba sendo um mote criativo para a elaboração de algumas coreografias”, explica a diretora.

Durante a apresentação, as reações das crianças são sempre inesperadas e cheias de expectativas. Elas vão absorvendo o enredo das memórias da pintora e o sentido das obras pelo processo lúdico, tendo a dança, alguns diálogos, o figurino e a trilha sonora, como principais dispositivos para a fruição do processo criativo de Tarsila do Amaral. “Achei muito lindo o espetáculo, a forma como eles conseguem expressar com o corpo os movimentos que as pinturas têm, parece que a gente entra na tela”, disse Namari de Paula, de 12 anos

O que poderia parecer conceitual demais, como é comum na maioria dos espetáculos de dança contemporânea, torna-se leve e de fácil assimilação pelo público presente, do sentido que cada coreografia quer apresentar, tendo sempre alguma obra da pintora numa grande tela projetada ao fundo do palco.

As ideias antropofágicas da pintora aparecem em cenas divertidas durante o espetáculo, como na aula de etiqueta, na qual a menina Tarsila brinca com o sentido das palavras rimando o nome de comidas francesas com sua preferência pelos pratos brasileiros. E também quando a protagonista canta uma paródia de Carmem Miranda, “Disseram que eu voltei afrancesada”, amarrando muito bem o sentido da artista que tinha sido educada nos padrões da cultura francesa, mas que tinha a cultura brasileira como sua principal inspiração artística.

O Abaporu, sua obra mais representativa, surge em vários momentos, numa projeção de tela, numa coreografia com os bailarinos usando um figurino com enormes mãos e pés, e até um boneco gigante de pano entra no palco provocando o espanto e admiração de todos. Outras obras, como “Operários”, “Cuca”, “Manacá”, “O Touro” vão aparecendo, nem sempre como projeções na tela, mas representado em coreografia, figurino ou performances.

Paisagens interioranas e metropolitanas se misturam nas diversas viagens de Tarsila pelo interior do Brasil e pelo mundo, de Sabará a Paris, e vão dando ao espectador, por meio de movimentos, cores e sons, uma melhor compreensão até mesmo das intenções estéticas do modernismo brasileiro, que tem na obra da pintora uma das principais referências.

Após a apresentação, os bailarinos bateram um papo com o público para falar sobre o processo de criação coletivo e para captar a recepção das crianças sobre o espetáculo. O próximo trabalho da companhia, já em fase de pesquisa e preparação, será sobre as obras do pintor Van Gogh.

Além da apresentação do espetáculo “Vila Tarsila”, os integrantes da Companhia Druwe também estão na programação da Mostra SESC Guajajara de Artes ministrando a oficina “Dança Contemporânea – Expansão do Movimento”, direcionada a atores e estudante de teatro, no Centro de Artes do Maranhão (CACEM).

A programação da Mostra segue até o dia 1° de novembro.






Texto: Alberto Jr (Ascom Mostra Sesc Guajajara de Artes)
Fotos: Paulo Socha