3 de dez de 2015

Karina Buhr fecha programação da 10ª Aldeia Sesc Guajajara de Artes

Over12h começa ao meio dia com o som do Grupo Bossa Nossa, na unidade Sesc Deodoro e vai até meia noite finalizando com Karina Bhur, na Praça Nauro Machado

TEXTO: GERALDO IENSEN / EDIÇÃO: LIDENEY RIBEIRO

Após uma semana ocupando as cidades de São Luís e Raposa com um intercâmbio de diversas linguagens artísticas, a 10ª Aldeia Sesc Guajajara de Artes realizada pelo Sesc no Maranhão chega ao seu último dia e para encerrar promove uma programação com 12 horas de apresentações artísticas sem parar, começando ao meio dia com o som do Grupo Bossa Nossa, na unidade Sesc Deodoro e vai até meia noite finalizando com Karina Bhur, na Praça Nauro Machado.


A programação da noite inicia às 19 horas, com o Video Mapping “Amazônia Mapping”, da artista visual Roberta Carvalho. O cenário escolhido foi o prédio da Defensoria Pública ao lado da Praça Nauro Machado. O videomapping, considerado uma das técnicas visuais mais inovadoras da atualidade, é a projeção audiovisual em comumente aplicadas a estruturas, como edifícios e monumentos, em que as imagens “se dobram” com a arquitetura onde são exibidas.
Roberta Carvalho é artista visual, designer e produtora cultural. Estudou artes visuais na Universidade Federal do Pará. Vive em Belém, cidade onde nasceu. Desenvolve trabalhos na área de imagem, intervenção urbana e vídeo arte. 
Festivais de mapping têm sido realizados nos mais variados locais do mundo, como Londres, Genebra e Budapeste. No Brasil, os eventos ocorrerem no sudeste do país e chegaram recentemente à região Norte e Nordeste.


Simultanemanete, o Circo Tá na Rua realiza a intervenção de manipuladores de fogo, chamada “Fogo Prometeu”, com a inclusão de todas as técnicas circenses que usam manipulação de fogo em um número que tem como proposta remeter à antiga relação do homem com o fogo, desde o mito à história.


No palco montado na Praça Nauro Machado, o primeiro a embalar o público é o DJ Jorge Choairy. Em seguida, às 20 horas, acontece o Show “JazzEncontros”. Neste show, o grupo apresenta ao público o jazz cantado, bem como releituras de músicas brasileiras e blues com versões autorais. O grupo é formado pelo guitarrista Marcones Pinto, o cantor James Pierre, o baterista Francélio Cantanhede, a pianista Thais Sena e o baixista Paulo Pontes, sendo apontada pelos críticos da área como grande revelação no cenário musical maranhense.

Antes da Karina Buhr, a banda maranhense Casa Loca promete animar o público da Praça Nauro Machado. Uma das bandas mais criativas de São Luís, saída do Cohatrac, bairro que tem sido berço e palco de muita produção cultural. Além da Casa Loca o bairro criou o Sebo no Chão, também incluído na 10ª Aldeia Sesc Guajajara de Artes.
Poderíamos contar a história da banda Casa Loca por aquela música de Vinícius e Moraes: “era uma casa muito engraçada/ não tinha teto não tinha nada”, mas a verdade é que a casa loca é mais do que a casa engraçada de Vinícius. 
A banda Casa Loca surgiu por conta da “Casa Loca”, que era uma casa normal e comum do Cohatrac, porém deixou de ser comum quando virou ponto de encontro de vários artistas de São Luís, um povo criativo, ou como eles gostam de dizer “muito loucos”, que trazia diferentes gêneros musicais, que foram se misturando por lá. E foi em um desses encontros que surgiu a banda, dando voz a um dos endereços mais conhecidos do Cohatrac.
Formada por Adnon (guitarra e voz), F.Spotti (voz), Luciano (batera), Rafael (baixo), DJ Alladin (pick-ups) e Dark (percussão), a banda tem um elo com o hip hop e o andamento de ritm ‘nd poetry. Mas a banda faz uma bela mistura. Na faixa “Proibido para maiores”, um toque de reggae; em “Diabédiôba”, uma pinçada de maracatu. Além disso, faixa “AM PM”, é muito rica com seu arranjo amplo, com metais e vocais. A banda lançou seu primeiro disco “Um de Onze”, no final do ano passado.


Encerrando o OVER12 e a 10ª Aldeia Sesc Guajajara de Artes, a Praça Nauro Machado vai lotar para receber o show Selvática, com cantora, atriz e poeta Karina Buhr.
“Selvática” é o terceiro disco autoral de Karina Buhr, um trabalho guiado pela temática feminista e tem causado polêmicas desde o lançamento. A capa do álbum mostra a artista com seios descobertos, o que foi suficiente para contrariar a política do facebook contra a nudez e ter a exibição proibida nesta rede social. Mas a afirmação da liberdade feminina é o tema forte deste trabalho e tem cumprido a tarefa de levantar discussões, inclusive muita gente se fotografou na mesma condição de Karina em protesto pela proibição.
O disco tem personalidade forte também na levada, que vai do heavy metal ao o punk rock: Pic Nic, Esôfago e Cerca de Prédio. Essa última sobre a ocupação que destrói nossas cidades em nome do capital e do consumo.
No palco, Karina é acompanhada por MAU (baixo), Bruno Buarque (bateria), André Lima (teclados), Fernando Catatau (guitarra), Edgard Scandurra (guitarra) e Guizado (trompete). 

SOBRE A ALDEIA

A Aldeia Sesc Guajajara de Artes é um projeto de continuidade no país. Integrante da Rede Sesc de Intercâmbio e Difusão das Artes Cênicas, o projeto caracteriza-se pela potência do confronto com o outro e o novo nas linguagens música, teatro, dança, literatura, artes visuais, cinema e circo. Essa reunião de elementos e características exprime o espírito que norteia o evento, marcado tanto pela expressividade da cultura popular, afro-brasileira e indígena, quanto pela arte contemporânea. Apresentando-se em formato de “Aldeia Cultural”, concentra uma programação artística-cultural para públicos variados. Em sua 10ª edição, promovida no período de 25 de novembro a 03 de dezembro nos municípios de São Luís e Raposa, a Aldeia Sesc Guajajara de Artes evidencia sua vocação multiculturalista através de uma ampla e rica programação fortemente marcada pelo diálogo com os coletivos e redes culturais.