26 de out de 2014

Juju Carrapeta e banda Vagalume visitaram Raposa ontem (25)

O sábado da 9ª. Aldeia Sesc Guajajara de Artes foi dedicado às crianças.

TEXTO: STEPHANY PINHO
FOTOS: MARCOS GATINHO

A programação da 9ª edição da Mostra Aldeia Sesc Guajajara de Artes levou ao município de Raposa uma programação repleta de cor e animação para as crianças de uma das cidades da região metropolitana de São Luís.

As crianças visitaram o mundo imaginário de Juju Carrapeta

Ontem (25), a programação teve início com a apresentação do espetáculo teatral “Juju Carrapeta” do grupo maranhense Teatrodança. A história, que tem como personagens a Serpente (interpretada por Victor Vieira), Don’Ana Jansen (Eline Cunha) e Juju Carrapeta (Julia Emilia) explora de forma lúdica a História e os mitos da Ilha de São Luís.

Explorando o imaginário infantil, os personagens são apresentados de maneira a desconstruir as dicotomias simplistas que são estabelecidas entre o bem e o mal. É o que explica Julia Emilia, diretora do grupo Teatro Dança: “A serpente, que todo mundo acha que é uma coisa do mal, na verdade, se você for ver a filosofia chinesa, ela possui vários locais onde existe um ‘dragão protetor’. Essa Ilha aqui tem o formato da cabeça desse dragão. E nós somos uma ilha vulcânica também, separada por duas pontas muito frágeis. Então, quando esse vulcão tiver qualquer tremor, essas pontas se juntam. Isso é a Serpente: nós somos seguros por alguma força”.

Ela continua: “Assim também é Don’Ana, uma figura que todo mundo acha que só fez o mal, mas ela foi uma mulher que no século XIX abriu muito caminho pra nós mulheres: foi independente, amava quem queria, que fazia de seu corpo o que desejava, então é bom que as crianças vejam os dois lados das coisas e não vejam o lado que a mídia ensina: quem é bruxa é má, quem é serpente não presta, quem é velho ... a velha Juju é uma idosa, e nós estamos vendo que os idosos estão sendo deixados de lado, toda essa nossa ancestralidade”.

Julia conta que o grupo busca trabalhar com recriações das expressões populares do Maranhão, trazendo-as para a cena uma fusão de linguagens artísticas como drama, dança e música. O grupo apresenta sempre trabalhos autorais: “O Mundo Imaginário de Juju Carrapeta” veio do livro e do espetáculo “O Baile das Lavandeiras” – do quais Julia Emilia é autora. “Além desses nós tivemos “O Cerro do Jarau” e o “Bicho Solto Buriti Bravo”, todos eles são para crianças, nós gostamos muito de trabalhar com dramaturgia para crianças”, revela.

Em vários momentos do espetáculo, os personagens referem-se a problemas ambientais da Ilha de São Luís, trazendo também princípios de educação patrimonial, tudo isso de forma lúdica, com vistas a auxiliar no processo de aprendizado do público infantil. Ao final da encenação, foram feitas algumas perguntas numa breve gincana com o objetivo de perceber a recepção do público. Duas espectadoras receberam como premiação um exemplar do livro “O Baile das Lavandeiras”, de autoria de Julia Emilia.

Crianças na Piracema Criativa de Ghuga Távora


Piracema – No intervalo, as crianças puderam apreciar e interagir com a exposição fotográfica Piracema Criativa e o projeto Floreando Palavras, do arte-educomunicador Ghustavo Távora. Em seguida, a programação teve continuidade com a banda Vagalume, que trouxe ao palco vários clássicos da música infanto-juvenil, desde canções do lendário Balão Mágico até uma releitura da Galinha Pintadinha em tirmo de reggae.

Banda Vagalume levou diversidade às crianças de Raposa

A apresentação agitou meninos e meninas, que interagiram com a banda de forma muito carinhosa e espontânea. Ao longo do show, a vocalista Fernanda Monteiro comentava sobre os gêneros musicais presentes nos arranjos. Ela explica que a proposta do grupo, surgido em 2012, era trazer um repertório infantil que não subestimasse, resgatando algumas coisas de brincadeira de roda e musicas que as crianças escutam e gostam, no sentido de fazer algo divertido, lúdico.


O grupo, que também faz shows particulares, pretende trazer aos pequenos um processo de musicalização, valorizando a facilidade do aprendizado próprio do público infantil.