9 de nov de 2013

Aldeia Sesc promove domingo de delicadezas, dramas e música brasileira

No domingo (27), a 8ª Aldeia Sesc Guajajara de Artes exibiu espetáculos infantis e montagens contemporâneas nos principais teatros. Na Praça Nauro Machado houve show de grupos de choro.


O Centro Histórico de São Luís ganhou no domingo passado (27) uma atmosfera poética por conta da programação da 8ª Aldeia Sesc Guajajara de Artes. Espetáculos infantis, peças teatrais e apresentações musicais atraíram para os principais teatros e Praça Nauro Machado um público desejoso por cultura e arte.

Na Sala de Coro do Teatro Arthur Azevedo, a Cia. Gente Falante, do Rio Grande do Sul, ofereceu momento de pura delicadeza no final da tarde com o espetáculo infantil “Louça Cinderella”, uma adaptação da conhecida estória da Gata Borralheira, escrita no século XIX pelos Irmãos Grimm e Charles Perraut, e convertida em teatro narrativo com objetos.

O ator-manipulador Paulo Martins começa dizendo: “Ninguém está só para sempre. Valorize os momentos de encontro”. Usando uma pequena mesa como palco, ele convida a todos a entrar na fantasia do faz-de-conta ativando a memória e a ludicidade de adultos e crianças. Xícaras, bules, louças e outras porcelanas vão servindo de personagens na contação da história. Depois do final feliz, todos são servidos com chá de pêssego e deliciosos biscoitos.

“Louça Cinderella” vai além de ser um simples conto de fadas. O texto fala de encontros entre pessoas, diferenças sociais, a importância de valorizar o conteúdo das pessoas além das aparências, das pequenas delicadezas afetivas, sintetizado na metáfora do hábito cordial britânico de oferecer o Chá das Cinco.

Paulo explicou que a ideia para o espetáculo veio a partir das memórias de sua avó. Uma mulher inglesa que casou com um negro africano para sair de casa. O casal foi morar na Bahia e por muito tempo ela não conseguia demonstrar afeto entre os familiares. Transformar o Chá das Cinco em hábito cotidiano e generoso foi a maneira que ela encontrou de se aproximar dos seus afetos.

No Teatro de Bonecos o ator é também um tipo de poeta e dramaturgo. Os espetáculos são criados a partir da memória e experiência pessoal de cada um. E a memória individual do manipulador vai tocando nas memórias coletivas do público. Este tipo de gênero teatral trabalha com metáforas que fazem pensar, educar e sensibilizar a plateia, com uma nova linguagem na forma de fazer teatro. Os atores estão sempre à vista e são, na maioria das vezes, autores das suas próprias histórias.

Há 22 anos a Cia. Gente Falante pratica este tipo de teatro no Brasil. O gênero já possui tradição na Europa, tendo iniciado no começo da década de 1980, na França, a partir de trabalhos desenvolvidos pela artista Katy Deville. Ele não possui uma teoria, mas diversas visões cenográficas e teatrais. Em junho deste ano, aconteceu em Florianópolis o Festival Internacional de Teatro de Objetos.

No final, a mensagem que permanece é a reflexão sobre as coisas cotidianas e um exercício em ver outras coisas através dos objetos, tocando na intimidade de cada espectador. Um tipo de espetáculo que exige calmaria em tempos de pressa e racionalidade.

Velhos Caem do Céu como Canivetes

No espaço da Pequena Companhia de Teatro, às 20h, o encontro inusitado entre uma criatura alada e um homem miserável tornou-se o epílogo de uma história sobre exílio, fé e esperança de salvação. O homem questiona-se se está diante de um anjo. O anjo desconhece o homem por suas sujeiras e miserabilidade. Eles se tocam e procuram reconhecer-se um no outro. O homem enaltece a figura alada. Acredita que ele poderia se tornar alguém importante, que poderia instaurar uma nova ordem, uma boa nova. O anjo calcula os dias e anseia pelo momento em que poderá retornar do exílio.
Há um jogo de palavras no discurso entre os dois opostos. O homem gosta de ler e usar palavras bonitas. O ser alado solta expressões em língua desconhecida, busca identificações no espaço do quintal do homem. Entre os dois há a sombra da fome, a necessidade de sobreviver. Entre a esperança de um e a resignação do outro há uma disputa. Fica a dúvida sobre quem encerrou seus destinos.

Na programação da Aldeia Sesc, o grupo, formado pelos atores Jorge Choairy, Cláudio Marconcine, e pelo diretor Marcelo Flecha, vai oferecer na cidade de Caxias uma oficina de teatro, no dia 07 de novembro, na Sala de Cultura Martinha Cruz. No mesmo espaço haverá apresentação do espetáculo nos dias 06 (com duas sessões, 19h30 e 20h30) e 07 de novembro (às 20h30).


Encontro de chorões

A noite foi do choro e da música brasileira na Praça Nauro Machado, a partir das 19h, com os shows do violonista João Pedro Borges e a cantora Célia Maria e o encontro inédito dos grupos Instrumental Pixinguinha e Regional Tira-Teima.

A apresentação foi uma reedição do “Recital de Música Brasileira”, projeto realizado há dez anos no Teatro Arthur Azevedo com a apresentação da dupla e um grupo regional de choro.

O encontro entre João Pedro Borges e Célia Maria foi dividido em duas partes. No primeiro momento, o violonista apresentou clássicos da canção instrumental brasileira, como Choro Nº 1 (Heitor Villa-Lobos), Tenebroso (Ernesto Nazareth), Interrogando (João Pernambuco) e Choro Triste Nº1 (Garoto). Depois, foi a vez de chamar ao palco a cantora Célia Maria para interpretar canções de grandes compositores da música popular brasileira. Parcerias de Chico Buarque com Tom Jobim (Olha Maria, Piano na Mangueira e Tema de Amor de Gabriela), com João Bosco (Sinhá), com Cristóvão Bastos (Todo Sentimento) e de próprio punho (Velho Francisco), além de canção de Jayme Ovalle e Manuel Bandeira (Azulão) e composição de João Pedro Borges (Porto Errante).

Depois foi a vez do time de dez bons músicos de choro comprovar, com muito improviso, técnica e qualidade, porque o gênero é um dos mais valorizados entres os amantes da música popular. O momento foi de descontração. O cavaquinhista Juca do Cavaco falou que não houve ensaio e, por conta disso, o repertório foi alterado minutos antes do show. Cheios de ginga e malandragem os senhores da música instrumental fizeram um espetáculo grandioso, agradando aos mais afinados ouvidos musicais. No repertório, choros de compositores como Waldir Azevedo (Pedacinhos do Céu e Delicado), Jacob do Bandolim (Benzinho e Doce de Coco), Naquele Tempo, Paciente, Cochichando e Proezas de Solon (Pixinguinha), entre outros. Na despedida, ainda coube uma homenagem musical ao clube de futebol Sampaio Corrêa pela conquista na Série B do Campeonato Brasileiro, no sábado (26), com os artilheiros do choro executando com maestria o hino do time.




8ª Aldeia Sesc

A 8ª Aldeia Guajajara de Artes segue até o dia 1º de novembro, em São Luís. Nas cidades de Itapecuru e Caxias, a programação acontece de 03 a 09 de novembro, com oficinas, espetáculos teatrais e shows. A mostra é gratuita, mas o público pode colaborar com o Programa Mesa Brasil do Sesc, que complementa milhares de refeições de crianças e adolescentes de São Luís e Caxias, doando 1 kg de alimento não-perecível nas bilheterias dos teatros.

O objetivo do evento é difundir a cultura brasileira e o talento da produção local nas mais diversas linguagens, trazendo espetáculos de circulação nacional e promover a formação de plateia. Este ano o evento passou a se chamar Aldeia, que são as mostras de arte e cultura organizadas pelos Departamentos Regionais do Sesc visando fortalecer os laços comunitários de artistas, espectadores e produtores, buscando inovar e diversificar o circuito cultural brasileiro.

Programação completa e mais informações

Email: aldeiasescguajajaradeartes@gmail.com
(98) 3216 3800 / (98) 3216 3886 / (98)88711079