28 de nov de 2014

Aldeia Sesc: uma Over12 de cultura e arte

Diversas linguagens em mais de 12 horas de programação marcaram encerramento da 9ª. Aldeia Sesc Guajajara de Artes, maior evento de arte e cultura do Maranhão

Overdose. O excesso de drogas já nos tirou diversos ídolos. A palavra maldita e seu significado remontam a tragédias. Mas um trocadilho seu indica outra coisa, uma vez por ano, em São Luís do Maranhão.

Over12 é a festa de encerramento da Aldeia Sesc Guajajara de Artes, evento já consolidado no calendário cultural do Maranhão como o maior evento de arte e cultura do estado, realizado por estas plagas desde 2006.

Como o nome entrega são 12 horas de programação ininterrupta, espécie de síntese do que são os oito dias de evento: música, circo, dança, intervenções, teatro, artes plásticas. Festa, enfim. E muito mais!

A programação começou ao meio dia, na hora do almoço, na área de vivência do Sesc Deodoro, com a discotecagem Selecta Groove, duo formado por uma maranhense e um gaúcho – eles voltariam a se apresentar à noite, na praça Nauro Machado (Praia Grande), que concentrou boa parte das atividades da 9ª. Aldeia Sesc Guajajara de Artes.

Entre intervenções, instalações e performances, o penúltimo dia de outubro guardava também a morte do Boi Brilho do Sesc, que ocupou a tarde de brincantes e público na mesma área de vivência do Sesc Deodoro. “O massa da Aldeia é que tem espaço pra tudo. Vêm coisas modernas, mas nossa cultura popular não é esquecida”, comentou a comerciária Silvia Rosana.

Discos, livros, dvds, roupas, assessórios. Tudo usado, em bom estado e a preço bom. O Brechó no Olho da Rua também integrou a programação Over12 da Aldeia Sesc. “Estar ali no brechó com minha marca de saias artesanais foi me sentir parte do movimento que estimula e valoriza a criatividade. E o Sesc integrando o brechó na programação pensa sobre essas questões e articula também uma ação”, comemorou Larissa Régia, proprietária da loja e blogue We Love Skirts. O tema “Tecendo redes”, da 9ª. Aldeia Sesc Guajajara de Artes tinha entre seus objetivos integrar ações culturais já desenvolvidas no Maranhão à programação do evento.

Larissa comenta ainda ter sido surpreendida pela programação de encerramento da Aldeia. “É sempre muito bom, mas foi bem além do que eu esperava”, afirmou, comentando a discotecagem da Rádio Casarão e as apresentações do Loopcínico, La Tabaquera – duo pernambucano formado pelos djs e vjs Alessandra Leão e Caçapa – e os paulistas do Afroelectro.

A noite musical na Praia Grande resumia e expandia a Ilha, pulsante e vibrante feito um coração sadio. As fusões promovidas pelas atrações da noite revelavam a vocação plural da capital maranhense, não à toa apelidada Ilha do Amor – naquela noite véspera do dia das bruxas em especial, do amor pela música.

A Jamaica brasileira recebeu bem a pesquisa da Rádio Casarão, a mistura de ritmos da cultura popular com bases eletrônicas de Loopcínico e Afroelectro e também as ondas caribenhas da La Tabaquera, em merengues, cumbias e otras cositas mas que evocam justamente a chegada do reggae que haveria de nos dar um de nossos mais reconhecidos epítetos.

Enganou-se quem pensava que eram apenas 12 horas de Over12. A estica da noitada terminou nA Vida é uma Festa, quando a programação Caia na Rede da 9ª. Aldeia Sesc Guajajara de Artes visitou o evento semanal realizado há – coincidência! – 12 anos por ZéMaria Medeiros.

Ano após ano a Aldeia tem crescido. Uns arriscaram dizer que esta foi a melhor edição do evento. Outros já preveem a de ano que vem, ocasião mais que especial em que se chegará ao redondo 10 – que bem poderia ser a nota do Sesc por tão importante feito.